quarta-feira, 24 de novembro de 2010

na estação


Entre as calçadas vazias, o gosto líquido da solidão... Mistura de Red Label, de chuva, de memórias... Humana's man. Havia, também, teu gosto entre meus dentes brancos. Talvez infância, talvez via láctea, talvez solidão... Aparição; eu iria aos confins!
  • Tens um cigarro...?
  • Não fumo – respondi. E o branco de tua camiseta sem mangas... É um Xamã?! - pensei. E amei a pele quase punk, e a confusão cultural e potencial e o coração e a leveza e o gesto e tudo, tudo, tudo...
  • Como se o universo se concentrasse ali, nele!
Depois disso, ligou-me:

  • Alô?
  • Quero te ver! - Fomos ao Jonny's bar, de imediato. Rolava um rock... Rolava um...
  • Não tô transando drogas.
  • Ah...
  • Tô limpa!
  • Desde quando?
  • Ah, desde a última tentativa.
  • Tentativa... Do quê?
  • Cortei os pulsos. Chegaram antes de cortar a jugular.
  • Ah... Vamos fazer amor? Ainda é melhor que o suicídio – disse-me com um olhar agudo.

Dobramos a Paulista e no primeiro canto, cometemos sexo ou... Amor.
O primeiro encontro foi... Atabalhoado... Melhor do que a lâmina, oposto ao frio. Havia calor de vida e a pegada dele... Parecia que pegava estrelas para memorizar brilhos. Leve, livre... Agarrei-me feito náufraga. A referência, o outro... Gente, vida...
Sexo com ele era lindo. Um rito grego digno de Apolo?
Algum efeito bombástico jogou-me novamente em Berlim: vislumbrei em seu olho a parede graffitada e uma memória "Man Hunt"... (de casa? ), manifestou-se.

Superei a cena desamarrando um cadarço das botinas e ergui minha perna bailarina até o centro de seu plexo... Foi um gozo infinito. Gostei daquele estilo jeans-rasgado, declamando ao mundo roto, sua própria decadência. Havia um tempo de 10.246 Km, que a vida não dançava em meu interno Feito chama, um fluxo sanguíneo aconteceu, marcando assim, a cumplicidade de nossos corpos ao sonoro… Gemeu muito; um bicho no cio.
Dois bichos em cio...Incomoda muita gente! As sirenes e os holofotes gritaram conjuntos a nós.
Ajeitamos as roupas da forma mais rápida possível e rindo muito do sem susto, retirou da mochila azul sua Spray Can e sangrando a parede, riscou-me junto à composta palavra ESTAÇÃO GRAFFITI.
  • You there, a moça que me traçou!
Sorriu rasgado e o murmuriá da Paulista, anunciava já a madrugada em alta. Buscamos uma sinuca, depois, mais sexo... Enquanto acariciava-o com minha saliva, perguntou-me:
  • Onde aprendeu isso, menina?
  • Ah... Invento – disse-lhe, sem concluir que invento também o vermelho da alma.
Chove profundamente sobre a copa acinzentada dos edifícios. São Paulo é assim, um misto de Avalon e urbanidade. Atrás da cortina que sobrepõe a vidraça, há uma outra que sobrepõe o céu. E, entre as duas, escorre a chuva.

3 comentários:

  1. Ô,amiga,quanta beleza nas tuas letras. Fiquei emocionado...

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  2. O PRIMEIRO CONTATO
    Certa vez, na ânsia de concluir um trabalho escolar, cercado de publicações dos mais variados autores e temas, e sem saber por onde começar despertei-me com um clique da minha esferográfica.
    Eis que, como um “Deja Vu”, deparei-me com um antigo livro de contos em péssimas condições. O papel amarelado pelo tempo, perfurado por traças, empoeirado e suas páginas mal cheirosas.

    A tinta usada em sua impressão ainda mantinha um bom contraste, o que o tornava legível.

    Então, no volver furtivo e detalhado de cada página, eu descobri algo novo: textos envolventes com assuntos, embora de séculos atrás, tão atuais e familiares que passavam não só a mim, mas a quem quer que os lesse (leiam) uma profunda intimidade com o autor.

    Agora eu já podia empunhar aquela, cujo clique não mais soava irritante, mas frugal.

    Tudo era simples, evidente e claro. Eu não precisava mais daquela pilha de publicações, pois tudo estava ali, em cada cor, som, ou lembrança. Daquela ponta esferográfica, as palavras fluíram com naturalidade e deitavam em cada pauta com a suavidade de uma pétala que pousava sobre a relva.

    Eu compunha com mais idéias, indeterminado, mais livre. Não havia motivo para se preocupar com “Lapsus Linguae”... Sim era minha primeira crônica. Agora eu sabia que poderia escrever sobre qualquer coisa.

    *Cassius Barra Mansa é cronista machadense

    Lapus Linguae = erros de linguagem
    ATRAÇÃO DOS MOLEKES

    (pagode com malícia mineira)

    Influenciados pelo, Exalta Samba, Revelação, o grupo se apresentou pela primeira vez em 2006 na Praça Antônio Carlos (Machado-MG), durante as comemorações do 7 de setembro.. No mesmo mês, eles abriram o show do Face Racial no salão da Dismabe, evento organizado pelo DJ Brown. O próximo passo será a gravação do primeiro CD com 12 músicas, entre elas (É hora de curti) Contatos: João ou Diogo (35) 3295-4031 (Machado-MG).

    Blog: http://atracaodosmolekes.blogspot.com/

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    ATRAÇÃO DOS MOLEKES ( ZOEIRA DE CRIOULO)

    http://www.youtube.com/watch?v=AfLrwijZprM

    ATRRAÇÃO DOS MOLEKES (SHOW NO LAGO ARTIFICIAL)

    http://www.youtube.com/watch?v=rZaNaZoBUm0

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